Poética IDe manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Poética II
Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.
E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.
Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)
Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
– Entrai, irmãos meus!
Vinicius de Moraes
Vinicius de Moraes é um dos meus poetas preferidos, se não for o preferido! O que mais gosto é que ele escreve de forma clara e objetiva, exatamente da maneira que mais me identifico. Essa maneira reflete muito o meu jeito de ser. "Nós escrevemos o que somos, não dá pra fugir disso!" (Ananda Souza). Acredito com toda plenitude nessas palavras. Deixo, então, duas poesias dele que gosto muito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário