Quanto tempo faz que não venho nesse espaço? Nem lembro... eu só sei que fico assim, espalhando palavras em cada canto do mundo sem fronteiras e deixando os pedaços de mim. Tudo que leio por aí, que saem das teclas que prenso, sou eu. Um eu que leio e que deixei pra trás, um eu, que às vezes vejo mutilado no chão que pisei no passado... muitas coisas só nós mesmos, dentro da gente, entendemos, nem dá para explicar, e assim morre a vida; com uma memória que chora de emoção num último suspiro, se dando conta de que tudo foi especial, de que tudo valeu e com uma eterna vontade de ser mais. Mais do que escritos de memória é esse espaço, por inteiro ele representa minha carne, meu sangue, minhas lágrimas, minha voz, uma essência, um eu transformador, transbordado e transformado.
A gente olha para trás e sente que no final das contas foi tudo, tudo bem. Tudo faz parte do ato de viver. A vida é assim, formada por histórias, capítulos que acabam num virar de página para começar um novo. E o que fica do livro da vida são as memórias de cada capítulo anteriormente lido.
Incrível é o poder das palavras. São poemas, pensamentos, reflexões que funcionam como um disco que foi gravado com música. A gente aprende a música, mas sabe que ela está associada à vida, aos momentos vividos. Cada palavra tem um sentido que vai além do seu significado. O conjunto delas contam uma história que vai além de uma narrativa. Atrás do seu significado se esconde uma vida repleta de sentimentos, e é justamente isso que não dá para explicar. Até porque, vamos e convenhamos, o que foi feito para sentir, não é nada didático. É tipo, ou é ou não é. Ou sente, ou não sente.
Estou escrevendo coisas aqui sem me podar, sem me dar limites, porque não estou preocupada com o nexo do texto, aliás, eu não estou preocupada com nada, eu só estou escrevendo sem parar, um ato de amor à vida(já que a novela está na moda e isso bem se traduz). Eu não quero que entendam, eu não quero que saibam, eu não quero explicar, eu só quero sentir a vida que vivi, as sensações, sentimentos, histórias, é isso que me rodeia.
Eu tenho 26 anos, já vejo tanta coisa marcante que vivi e fico imaginando daqui pra frente, quanta coisa ainda me falta! Um turbilhão de coisas... fico lembrando do que a cigana me falou ao me abordar no RJ... porque será que o amor é sempre tratado como peça-chave em nossas vidas? Todo mundo quer saber: e no amor?
Guardo tantos segredos dentro de mim, tanto quanto o resto do mundo, e aguardo o dia que irei revela-los. Para quem? Onde? Quando? Ou sempre serei esse frasco cheio de mistérios se segurando para não vazar? A quem me despir num mundo tão misterioso quanto eu? E eu penso num futuro que ainda não vivi com uma intuição tão forte de que será vivido... como se eu não pudesse escapar. Acho muito louco, mas é exatamente assim. Sentindo um futuro olhando para mim, me esperando, e tendo exatamente as mesmas sensações que eu, certezas incertas... e o que falta? Falta esperar o tempo chegar de sua viagem, talvez...
Eu ainda lembro de tudo que já caiu no esquecimento. Sim, muitas coisas ficam esquecidas no fundo de um baú inútil e empoeirado, lá está, lá ainda existe. Como algo que você guardou no baú dentro de um porão, mas ainda o reconhece e se pergunta: para quê me serve mesmo? Funciona ainda? Como é que usa? Não sei... ou ainda sei?
O presente é uma lição de casa do qual nos esforçamos para nos concentrar, que foge pelo canal do túnel do tempo ou na máquina do futuro. Qualquer um, tanto faz! O que vale é sempre o presente do qual vivo com dedicação. Eu vou me concentrar, eu acerto essa lição!
Viver é a sede de viajar estrada a fora lendo o livro abstrato de se entender.
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