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quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Muda

Eu ainda quero falar alguma coisa que não sei dizer. Lá vou eu aqui de novo! Meu teclado fala como patinhas do cão "cofape" caminhando pela casa... acho tão gostoso! É a minha raça preferida. (risos). Sei lá, que loucura, mas isso me soa como música. Sempre fui ligada às palavras, eu gosto demais de escrever, esse é o meu tagarelar, e agora é como se isso tivesse tomado conta de mim de novo, e é tão bom. Estou vomitando palavras como antigamente, ouvindo uma mesma canção repetidas vezes até o fim. Talvez seja por eu me revelar, me enxergar nitidamente no meio delas, me sentir confortável como no meio de lençóis macios. E eu nem sei o que eu quero falar. Porque, na verdade, não cabe mais nenhuma palavra... o que me faltou dizer se tudo já foi dito? Foi dito o verdadeiro e o falso. Foi dito a dor e a alegria. Foi tudo dito, e eu não sei porque ainda preciso dizer. E eu que amei tanto... que fiquei muda.

Depois de tanto tempo...

Quanto tempo faz que não venho nesse espaço? Nem lembro... eu só sei que fico assim, espalhando palavras em cada canto do mundo sem fronteiras e deixando os pedaços de mim. Tudo que leio por aí, que saem das teclas que prenso, sou eu. Um eu que leio e que deixei pra trás, um eu, que às vezes vejo mutilado no chão que pisei no passado... muitas coisas só nós mesmos, dentro da gente, entendemos, nem dá para explicar, e assim morre a vida; com uma memória que chora de emoção num último suspiro, se dando conta de que tudo foi especial, de que tudo valeu e com uma eterna vontade de ser mais. Mais do que escritos de memória é esse espaço, por inteiro ele representa minha carne, meu sangue, minhas lágrimas, minha voz, uma essência, um eu transformador, transbordado e transformado.
A gente olha para trás e sente que no final das contas foi tudo, tudo bem. Tudo faz parte do ato de viver. A vida é assim, formada por histórias, capítulos que acabam num virar de página para começar um novo. E o que fica do livro da vida são as memórias de cada capítulo anteriormente lido.
Incrível é o poder das palavras. São poemas, pensamentos, reflexões que funcionam como um disco que foi gravado com música. A gente aprende a música, mas sabe que ela está associada à vida, aos momentos vividos. Cada palavra tem um sentido que vai além do seu significado. O conjunto delas contam uma história que vai além de uma narrativa. Atrás do seu significado se esconde uma vida repleta de sentimentos, e é justamente isso que não dá para explicar. Até porque, vamos e convenhamos, o que foi feito para sentir, não é nada didático. É tipo, ou é ou não é. Ou sente, ou não sente.
Estou escrevendo coisas aqui sem me podar, sem me dar limites, porque não estou preocupada com o nexo do texto, aliás, eu não estou preocupada com nada, eu só estou escrevendo sem parar, um ato de amor à vida(já que a novela está na moda e isso bem se traduz). Eu não quero que entendam, eu não quero que saibam, eu não quero explicar, eu só quero sentir a vida que vivi, as sensações, sentimentos, histórias, é isso que me rodeia.
Eu tenho 26 anos, já vejo tanta coisa marcante que vivi e fico imaginando daqui pra frente, quanta coisa ainda me falta! Um turbilhão de coisas... fico lembrando do que a cigana me falou ao me abordar no RJ... porque será que o amor é sempre tratado como peça-chave em nossas vidas? Todo mundo quer saber: e no amor?
Guardo tantos segredos dentro de mim, tanto quanto o resto do mundo, e aguardo o dia que irei revela-los. Para quem? Onde? Quando? Ou sempre serei esse frasco cheio de mistérios se segurando para não vazar? A quem me despir num mundo tão misterioso quanto eu? E eu penso num futuro que ainda não vivi com uma intuição tão forte de que será vivido... como se eu não pudesse escapar. Acho muito louco, mas é exatamente assim. Sentindo um futuro olhando para mim, me esperando, e tendo exatamente as mesmas sensações que eu, certezas incertas... e o que falta? Falta esperar o tempo chegar de sua viagem, talvez...
Eu ainda lembro de tudo que já caiu no esquecimento. Sim, muitas coisas ficam esquecidas no fundo de um baú inútil e empoeirado, lá está, lá ainda existe. Como algo que você guardou no baú dentro de um porão, mas ainda o reconhece e se pergunta: para quê me serve mesmo? Funciona ainda? Como é que usa? Não sei... ou ainda sei?

O presente é uma lição de casa do qual nos esforçamos para nos concentrar, que foge pelo canal do túnel do tempo ou na máquina do futuro. Qualquer um, tanto faz! O que vale é sempre o presente do qual vivo com dedicação. Eu vou me concentrar, eu acerto essa lição!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Não Escondo de Mim




Não escondo de mim
Nenhuma lembrança suja
De uma fonte límpida

Não escondo de mim
Nenhuma dor, ferida
Do que foi fonte de alegria

Não escondo de mim
Nenhuma visão arredia (que eu não conhecia)
De uma falsa fonte de simpatia

Nem escondo de mim
Nenhum sentimento hoje inútil
De uma fonte que um dia foi pura, limpa e minha
O leite transbordado não retorna jamais.



Diante de ti virei refém da falta de confiança, que eternamente nos impedirá de permanecer... junto.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011


Nada é trágico

Para quem se entrega

Tudo é desespero

Para quem vive nas rédeas



Nada é triste

Para quem ama e decide

E alegria é de pobre

Para quem se dá limite


Ananda Souza

O amor é um presente


Eu tenho algumas considerações a respeito do amor...


Amar É a melhor coisa da vida! Não merece ser tratado como sacrilégio nem, por vezes, como tédio. Amar é como a vida, é algo que vem em nosso pacote, é uma caixa de presente! Existe sensação melhor que a de amar? Definitivamente, não!

Amar tem uma peculiaridade que é muito importante e poucas pessoas se atentam. Ele não foi feito para o outro! Sim, é isso mesmo. O amor foi feito pra gente, é nosso! E cabe a nós também as responsabilidades sobre ele.

Acontece que, como todo presente, há um comum desejo de compartilhar e é aí que vem a parte mais gostosa de amar, a doação, divisão, a troca. Mas que delícia é trocar amores! "Veja o meu presente, que eu quero ver o seu." Coisa boa! São presentes diferentes, cada um a seu modo, mas o sabor é muito bom do mesmo jeito!

Aí quando chegamos num momento em que temos que "devolver" o presente do outro, vem um gosto amargo por não ter mais aquele sabor...

Mas por que será que temos a tendência a esquecer que também ganhamos um presente?

Não, eu não vou me permitir esquecer, o meu é tão bom quanto o seu, o nosso!


Ah, o amor... quem brinca com isso? Sim, há quem brinque, mas com quem não sabe amar a gente deixa pra lá e entra na roda para sambar. Porque amar é como uma roda de samba, só interessa entrar quem sabe sambar!


E eu? Eu pretendo amar sempre e cada vez mais! Com toda força! Com toda intensidade! Amar é a melhor parte da vida, como negar? Os olhares, os sorrisos, o beijo, o carinho, as surpresas, a ENTREGA! Que gosto tem o amor sem tudo isso? Quem não se permite amar, perde a melhor parte da vida! O amor foi feito para ser assim, habitando o ser de coração e alma livres! Afinal, quem se prende aos sabores da dor, não pode sentir o sabor do amor.




Sem dúvida, é o maior presente da vida e cada um de nós tem uma caixa de amor guardada dentro do peito.


Vamos trocar?


Ananda Souza


Fim!


Começou!

Não, não, acabou!

Mas o que é fim?

É aquilo que acaba!

Mas quando acaba?

Quando se vê o que começa!

Fim é aquilo que começa!

Não, fim é aquilo que acaba!

Mas e o que recomeça?

É o que acaba!

O fim acabou

Porque recomeçou!

Fim!


Ananda Souza

Inesperada dor


Inesperada frieza tua
Congelou um coração quente
Que não suportou te esperar em mente
Mas nunca mente ao coração, ardente
Ah ele sonhava, sim ele esperava...

Inesperado coração frio
E uma mente quente a me repreender
Feixes de raios finos a me estremecer
Dentro de mim, um coração a derreter

Inesperadas mãos frias
Que não aquecem mais meus pés
Cortou as asas do meu coração
Frustrou o sonho de pedir tua mão
Afastou-me da tua vida
Que pensei tornar nossa um dia

Inesperadas palavras frias
Desprezo, dor e agonia
Navalha, agulha, ferida
Levado à pedra, à sangria
Petrificou meu rosto, lágrimas frias...

Inesperado amor perdido
Porque o perfeito
Agora é mito
Porque o sorriso
Agora é um grito

E a primavera
nem mais verão
O que era outono
agora é desilusão
Chegou o inverno
no teu coração



Ananda Souza

Sem mais a dizer...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Reflexões de Autoconhecer




Capricónio, signo de terra...

Gostam mesmo de terra firme, de saber onde estão pisando, de certezas e nada de pés soltos pelo ar. Mas, apesar de mais curvados à racionalidade; amam com intensidade, com toda sinceridade, mergulham, vão fundo e vivem a relação intensamente, com total fidelidade aos seus sentimentos, mesmo que estes venham a gerar sacrifícios, inclusive o de abrir mão de certezas que geralmente os signos de terra necessitam tanto...


(...) Então seguro a mão de quem amo e me proponho a voar. Não digo que sem medo, porque o medo sempre bate a porta, mas digo com coragem, porque a coragem sempre enfrenta o medo. Afinal, de que vale a vida se não for para ser vivida? A vida não foi feita para nos deixar acomodados, na defensiva, foi feita sim para partir para o ataque, ser vivenciada.


Me proponho a voar porque sei que sei pousar o meu avião, sei que posso confiar no meu pé que vai ao chão, sei que se algo der errado dou conta de colocar tudo no lugar de novo. Até porque, se temos nós a razão e a emoção é porque os dois são úteis e são para ser usados. A verdade é que, apesar da coragem, nunca devemos estar desprevenidos, sempre deve haver uma saída, ou seja, devemos sempre confiar em nós mesmo primeiramente, nós somos a saída. O que é uma boa forma e a melhor forma de se prevenir, que ajuda, apesar de nem sempre evitar que sintamos as feridas. Mas quem disse que quem entra em campo não corre o risco de se machucar? Se machucar faz parte!


Mas com a mesma coragem para amar, temos para encarar as feridas, para, assim, poder curá-las. É essa coragem que nos permite viver como atores da nossa própria vida e não como platéia que se exalta de emoção, mas não participa das mensagens da própria peça. Não vale a pena apenas assistir ou ser ator da peça, mas sim levar a peça para a sua vida real.


E na vida real tenho todo amor do mundo, que é seu. Sinto medo, mas possuo o escudo da coragem. Sigo o coração, mas nunca abandono a inteligência e a razão. Me previno, mas nunca deixo de viver. Me machuco, mas tenho em mim a força, a solução. Choro, mas choro mais de alegria. Erro, mas também acerto. Me engano, mas banco minhas próprias idéias. Sonho, mas com aquilo que possa ser real. Idealizo, mas para quem conhece a terra isso nunca é letal.


Vivendo e aprendendo... sempre!


Ananda Souza

domingo, 28 de novembro de 2010

Penso (para "LoydeLimaLimão")


Sol bate a janela, penso.
Espreguiço, penso.
Quando abro os olhos, penso.
Sento na cama, penso.
Quando paro e penso, penso.

Água escorrendo, penso.
Vou me vestindo, penso.
Nó no cadarço, penso.
Peguei a mala, penso.
Durante a estrada penso, penso, penso...

O dia lindo, penso.
Lá vem a chuva, penso.
Na noite escura, penso.
Segunda a sexta, penso.
Fim de semana, aí que penso.

Chegando em casa, penso.
Com muito sono, penso.
Matando a fome, penso.
Arrumo o quarto, penso.
Aquela insônia! penso, penso, penso...

Todos os dias, penso.
Eu viro a esquina e, penso.
Abre o sinal e, penso.
Escrevo aqui e, penso.
Lá vem de novo, penso.


E o que é meu pensamento?
Pensamento é o que penso
Que é feito de sentimento
Daquilo que há por dentro
Ele é todo dedicado
A quem faz aniversário
Neste dia de novembro.



Para ti que, com todo sentimento, tomou de mim meu pensamento.
Essas palavras representam bem os meus dias.
Amo-te infinitamente e sou feliz.



FELIZ ANIVERSÁRIO MEU AMOR!
Ananda Souza - 28/11/10




terça-feira, 23 de novembro de 2010

O 1º Encontro com a Sabedoria Oculta da Cabala




Há algo que eu realmente gostaria de compartilhar hoje. Durante meu ainda breve percurso de vida, tenho dado meus passos percebendo que a própria vida se encarrega de nos dar sinais, sinais dos quais nos guiam em direção a um entendimento, aprendizado, uma consciência de...


Percebo que tomar consciência de si em referência a algo é ter o entendimento da verdade, do que é bem ou mal, bom ou ruim para você de acordo com determinada situação de vida. Assim, vamos aprendendo a viver e a seguir o nosso caminho certo, o melhor caminho para cada um de nós, distintamente! Isso quer dizer que cada um tem uma verdade, uma verdade que é só SUA, diversa da verdade dos demais. Porque o fato é que o que você precisa tomar consciência e aprender não é o mesmo que o outro precisa.


No decorrer da vida vamos sentindos os sinais, adquirindo consciência do que você é para aprender o que precisa, vamos ficando mais sabedores de nós mesmos, passamos a ver, então, a sabedoria oculta. Oculta não porque foi feita para ficar escondida, mas sim porque essa sabedoria é a que está dentro de nós e a nós, especificamente, interessa.


Mas notem que quanto mais nos conhecemos, mais temos a sensação de que temos muito ainda a aprender. Quem nunca procurou respostas até o esgotamento e depois se sentiu como Sócrates: "só sei que nada sei."? Quem já se sentiu o autor das palavras "quanto mais me acho, mais me perco."?


A verdade é que a nossa capacidade de adquirir conhecimento vai além da duração de nossas vidas, mas a nossa curiosidade para aprender deve transcender o tempo inesgotável da nossa espiritualidade, pois os resultados disso vão sempre além das nossas expectativas; porque, na maioria das vezes, estamos limitados ao mundo material e, por isso, nos surpreendemos com respostas que ultrapassam tudo isso e alcançam o crescimento espiritual.


Hoje, nos meus intervalos de tempo, engoli 50 páginas do Guia à Sabedoria Oculta da Cabala, de Rabi Michael Laitman. É uma leitura agradável para curiosos ou iniciantes dos estudos sobre Cabala.


O que tenho entendido é que a Cabala é um "instrumento" de estudo que nos guia para o autoconhecimento para, posteriormente, fazermos a auto-correção do nosso eu. Mas esses ensinamentos não são para quem procura a transformação usando o lado intelectal, o intelecto é apenas uma ponte para chegar à abertura em seu coração, ou seja, para chegar à sua alma. A Cabala ajuda você a tomar consciência de si mesmo, a sentir a sua alma, a sua verdade e assim chegar à transformação do seu eu. Só assim a verdadeira mudança acontece! [se me equivoquei ao entendimento, que me corrijam].


Compartilho um dos vários momentos da leitura que gostei:


Abraçar a Sabedoria Oculta, (e é oculta por estar dentro de nós mesmos) não implica simplesmente evitar as coisas lindas para não excitar os próprios desejos. A auto-correção não provém do auto-castigo , mas resulta da realização espiritual. Quando alguém alcança a espiritualidade, aparece a luz e o corrige. Esta é a única mudança real. Todas as demais são hipócritas. O propósito do estudo é convidar a luz corretora. Portando, a pessoa deve trabalhar sobre si mesma só para isso. A presença de qualquer pressão ou qualquer tipo de regras ou regulamentos obrigatórios revela a mão do homem e não dos mundos superiores. Além disso, a harmonia interna e a tranquilidade não são pré-requisitos para alcançar a espiritualidade; aparecerão como resultado dessa correção interior. Mas não devemos crer que isso ocorrerá sem esforço de nossa parte.

(Guia à Sabedoria Oculta da Cabala - p.39, LAITMAN, Rabi)


Portanto, ir ao encontro da sabedoria oculta é encontrar-se consigo mesmo. De certo, há muitos mistérios (e na verdade o mistério é só aquilo que ainda não conhecemos) dentro de nós que precisamos decifrar, mas o desejo e até necessidade de tornarmos sábios de nós mesmos para transformar o mundo ao nosso redor são quase fisiológicos. Mudar sempre (para melhor), é isso que nos faz ter sede de viver.


Luz a todos,


Ananda Souza

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Profunda Superfície



Estou debaixo das águas
A prender a respiração
Estou submergindo a cada dia
Já nem vejo a luz do dia
Estou no fundo do mar,
na escuridão

Aqui embaixo penso
Como tornar-te tão importante
Quanto o fôlego de vida
Me deixa respirar em paz
Trazes-me a ti mesmo

Como um prestadio salva-vidas!

Aqui dentro fico imóvel
A tentar olhar seres ao redor
E eles esbarram em mim
Eu nem me atento porque eu sei
Eu sei que não é você...

Eu te enxergaria
Porque és luz
Eu flutuaria
Porque és a leveza
dos teus próprios vôos

E só afundo na solidão
dessa multidão marítima
Estou gritando por ti
Bebendo a água salgada
Misturada com essas lágrimas

Eu ergui a mão
Eu senti a tua me puxar
Deus, eu estava tão perto da superfície!
É que fôlego faz falta
Na velocidade da luz, mas faz falta...

Eu não sabia, eu não sabia
Agora sei! :)



Para um amor, LLL.




segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Exaltação a São Luís (do meu tio Eri Garcêz)




Ó minha gleba,
que tão linda cintilas
nos horizontes de cada aurora!
Minha terra, meu colo, meus cristais.
minha doce armadura de vitrais
que eu canto nos versos de agora.
Encantadas nos refrãos de rimas
alma de meu mundo, encanto de menina,
a bailar com brios.
Derramando incenso de mel
sobre as pedras das ladeiras,
reclinada nos coxins de uma palmeira
assaltada pelos mares
de ventos tão frios
Formosa dentre os milagres
de verdumes e manguezais,
a resplandecer nos olhos de quem ama.
Fincada nesta ilha a conquistar meus sonhos
te vejo despertada a entoar canções,
a cravar meu peito com belos sermões!
flamejando o amor que o teu perfil proclama.
No encarte de velhos sobradões,
és o labirinto de sonhos tão dourados;
de azulejos brilhantes, matizados,
Ó musa do poeta que te canta!
Flutuando entre brilhos de fachadas
adormeces com segredos tão sem fins,
em teu seio flores e jardins
deleita a voz de cada um que se levanta
Transbordando luzes que te enfeitam
pareces um sonho de donzela
que fechou a porta e abriu a janela,
para receber o sol, que te aquece e te exorta.
Berço de gente que te cantou em versos,
terra de sonhos e milagres profundos,
adorno sutil de todos os mundos
que a cada aurora, mais risonha brotas!...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Uma Viagem Para o Rio



Recordo as paisagens que via
A cidade da alegria
Morou em mim a concentração
de tudo que há de mais belo
Sotaques nem mais ouvia
Era você na imaginação

Você sempre esteve em mim
E eu sempre estive aí
Não há empecilho para amar
Há mil motivos para sorrir
O Universo é que encaminha
Não há nada a perseguir

A trajetória dos passos dados
pelos meus olhos nos teus rastros
Percorreu o meu corpo livre
Seguindo a combinatória desse clima
Tropical e que ardia
Mais que os 40 graus do Rio

Você sempre esteve em mim
E eu sempre estive aí
Não há empecilho para amar
Há mil motivos para sorrir
O Universo é que encaminha
Não há nada a perseguir

Ao encontrar-me dentro dos teus
Assim como esteve nos meus olhos, te segui
Ainda possuo o canto da chuva nos ouvidos
A visão de você a olhá-la pelo vidro
E para eu ver, tua voz a me pedir

Você sempre esteve em mim
E eu sempre estive aí
Não há empecilho para amar
Há mil motivos para sorrir
O Universo é que encaminha
Não há nada a perseguir

Passam instantes de euforia
Chega o dia, a despedida
E um amor certo a fluir
A chuva até caiu na face
Mas ao sair dessa cidade
Levei você dentro de mim

Mas você sempre esteve em mim
E eu sempre estive aí
Não há empecilho para amar
Há mil motivos para sorrir
O Universo é que encaminha
Não há nada a perseguir









Ananda Souza
Para o meu amor do Rio, M.

No Itinerário do Vento




Sim, perco-me nas palavras
Que sopram o vento
É o grito de Munch
A voz petrificada no ar
É o meu desejo intemporal de estar
contigo

Só tu sabes o que digo
quando sinto em mim teu safári
Aqui mora o gelo no peito
Que resseca a boca
Aquece o corpo
Revitaliza a alma...

No ar encapsulado te respiro
Não sei deixar de sentir-te
Procuro-te na cadeira ao lado
Reviro pontos cardeais
Onde estás?

Marinheiro de um amor distante,
vívido nos vales em mim, ficamos perto
Vou à esquina, estou tão longe
Estou fora de mim
Estou bem perto de ti

É o caminho mais longo que sigo
Nesse me encosto para descansar
A estrada curta me esgota
Prefiro voar



Ananda Souza

Vim!


Vim para escrever palavras que me faltam quando as tuas me sobram no transbordar dos teus vocábulos meus. Vim para dizer palavras que dançam nos meus olhos acompanhando o ritmo inveterado desse tango, pelo espaço abstido, pelo amor assistido, mas só meu e teu. Vim, porque nem só de palavras vive o homem. Este sabe que além delas, há correntes que garantem a sobrevivência dos amantes do BEM. Que depois da assistência, do desejo de amar o mar uma da outra, ele sabe a liberdade presa que o coração se condena em troca da mais simples forma de vivência. E que seja! Vim porque a nossa convivência é agora, no contorcer das palavras que nunca tudo sabem dizer. Vim porque um diário nunca lhe deixa escapar um dia por escrito, como eu desfaleço aos poucos por não deixar dias meus em ti redigidos.




Ananda Souza

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Uma Carta a um Professor: Pensamentos I e II



Uma Carta a um Professor: Pensamento I

Eu o vejo como um homem tão inteligente, por isso não consigo compreender como consegues falar desse mundo contemporâneo que você classifica como hipermoderno com tanta simplicidade. Sinceramente não sei se penso assim porque eu não consigo admitir esse mundo que tu descreves ou porque, para mim, esse mundo não existe. O meu mundo é outro, rico de idéias, inclusive próprias. Não é porque nem sempre sigo idéias dos meus pais que haja ausência de idéias. Não é porque o mundo deixou de seguir alguém, um Hitler ou um Che Guevara, que as idéias tenham sido extintas, não é?

Não vejo em mim, nem ao meu redor, nem no meu estado a ausência de idéias, porque eu presenciei os ideais, senti na pele e vi a ideologia tomando as pessoas, escorrendo pelo suor de seus corpos e pela saliva de suas bocas a cada nova caminhada. Não, elas não estavam ali para eleger candidato “X”, elas estavam ali fazendo uso de seus ideais, apenas para mudar um exercício político que permanecia já há tempos ali, e que faliu nosso estado nos colocando em posição vergonhosa e de exemplo de atraso perante o país. Muitos estavam desanimados até com o candidato escolhido para esse momento de transição, inclusive eu, mas havia um ideal, e isso era maior.

O que movia esse povo era o que move qualquer ser humano, o desejo, a vontade de construir uma realidade diferente, no nosso caso, daquela que já viviamos há 40 anos. O ser humano tem o direito de acreditar e tentar mudar, dando certo ou não no final é preciso TENTAR. E esse povo só tentou porque acreditou na sua idéia.

Diante de toda essa história percorrida, me diga professor, como me sentir convencido de que já estamos no hipermodernismo? O máximo que posso admitir é que estamos no pós-modernismo, pois ainda vejo no agora o que tu chamas de “resquício do moderno” (que é a sobra do ideal existente no período moderno, um período de grandes teorias), pois eu tenho sabido, visto e ouvido ações populares levadas por causa desses “resquícios”.

Mas o que mais me indigna, perdoe-me a sinceridade, é essa sua calma quando falas do hipermodernismo como algo já plenamente presente na sociedade, deixando a entender, assim, que é natural não ter idéias, ser um alienado, fazendo com que seus alunos não sintam nenhuma culpa pelo fato de ser um “cabeça de vento”, afinal todos já são assim e eles são apenas mais um; e pior, com a sua maneira de falar, você me deixa acreditar que VOCÊ também se considera mais um, como todos os outros.

Tudo bem, cada um que faça o que quiser do seu próprio cérebro, então me perdoe a irritação, mas é algo que não consigo evitar, pois pregar isso tudo, para mim, é o fim. Só me parece um discurso disfarçado de intelectual do próprio sistema em que vivemos para levar as pessoas a pensar que ser um retardado hoje em dia é totalmente natural e bom, para, dessa forma, diminuir a resistência social e abrir caminhos para se tirar proveito político, social e, principalmente, econômico.

Eu não sei o que o senhor pensa de fato, mas se tu condenas essa postura hipermoderna, fale disso demosntrando que abomina, condenando isso e não como alguém que acha tudo isso é super natural e que já até faz parte desse processo.

Um abraço mental conflituoso,

Ananda Souza

P.S.: Sempre quando falo de idéias, quero denotar o sentido de desejo de mudança do homem, que é sempre levado a isso por sua natureza insaciável e não por acreditar em um ideário, propriamente. Digo isso porque não acredito que o homem transforma baseando-se apenas em uma ideologia, mas sim porque segue o seu próprio desejo, principalmente quando já se vê à beira do abismo. Afinal, se a ideologia fosse o principal fator que motivasse à transformação, o conflito de classes pregado por Karl Marx, por exemplo, teria iniciado na Inglaterra e não na Rússia. O proletariado inglês tinha consciência de seu lugar reprimido dentro da sociedade e a idéia de Marx, mas os russos estavam na mais plena miséria e, por isso, o desejo de mudança foi maior e fator decisivo para as conseqüentes ações. O desejo se faz maior que a idéia, ou seja, a idéia é apenas a conseqüência do mais profundo desejo.

Uma Carta a um Professor: Pensamento II

Caro professor,

Volto a te escrever com as desilusões nas costas, com um coração que, ao ver a realidade, despedaçou-se, mas com os pés mais no chão. A ventania da realidade tem desmanchado no ar tudo aquilo que parecia ser sólido, as máscaras sociais e políticas têm caído e me enterrado nesse chão sem boas perspectivas. Agora sinto na alma que a teoria é diferente e, muitas vezes, o oposto do que acontece na prática.

Direitos, democracia, poder do povo, voto, ideologias diversas, tudo tem escorrido como lava quente por entre os dedos das mãos e é assim que o mundo tem nos empurrado para esse chão hipermoderno. Admitir isso me doeu desde o princípio, e tu bem sabes disso, mas não dá mais para viver preso a ilusões.

Eu creio que não te entendi porque percebo que você já aprendeu o que agora preciso aprender. Preciso aprender a ser indiferente com o mundo para conseguir aturá-lo um pouco mais, coisa que tu, acredito eu, já deve ter sentido como estou sentindo agora. Vou conseguir? Isso parece ser sinônimo de não mais acreditar na humanidade... e eu tenho estado descrente dela.

A estrutura é naturalmente anti-humanista e auto-destrutiva. Como haver solução se, sendo um sistema anti-humanista, o ser humano será sempre uma espécie condicionada por algo maior que ele? Como seres condicionados a uma estrutura, e esta sendo naturalmente destrutiva, como impedir nossa própria destruição? Não, não sei mais se há solução.

Agora me vejo obrigado a me individualizar, mas para isso preciso aprender a ser indiferente a essas imperfeições do mundo. Cada vez mais preso ao meu ser indivíduo, alienadamente sabedor de que esse meu ser indivíduo não influencia o todo, que não faz a menor diferença nele, mas que parece a única maneira de conseguir respirar por aqui. Individualizar-se, então, se torna uma necessidade para garantir a sobrevivência, mesmo sendo, contraditoriamente, sinônimo de suicídio, afinal, mesmo dentro desse conjunto de sociedades, o que tem nos restado é construir nossas vidas individualmente, mas esperando que algo maior que não controlamos faça a desconstrução.

Ananda Souza
Monólogos dedicados ao psiquiatra, doutor e professor Eduardo Riaviz que, mesmo sem intenção, sempre me faz refletir.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Adeus




Se sinto amor?
Sim, sinto.
E é por isso que sinto tanto...

E é por isso que venho aqui,
com o rosto no sal da água
Para, assim, dizer-te:

Adeus!

Ananda Souza

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Diário de Uma Adoentada

Dias em casa, o que fazer?

Três palavras, até então, podem resumir: discos, livros e filmes. Não vou citar o uso do computador porque isso é diário como o alimento, necessário independente de qualquer coisa, como agora, que estou a nutrir-me das palavras que aqui despejo.

A cada dia sinto sede de alguma coisa, uma vontade de um novo cardápio ou de repetir o "prato da casa" que há algum tempo não degusto. É o que estou a fazer com os meus discos. Acordei com sede de alguns e já estou a me alimentar deles. Hoje quero um repertório cujo prato principal seja Marina Lima. Tenho ouvido muito o disco “Todas Ao Vivo”, mas hoje pra mim é pouco. Os coloquei todos sobre a cama e estou a admirá-los como se fosse a primeira vez. Interessante como o sabor de cada um nunca se perde. Volta e meia os tomo para mim e me vêm no rosto olhos felizes por perceber que são tão bons e que são MEUS!(risos)

Estou ouvindo o disco “O Chamado” agora, a canção “Deve Ser Assim”, dona de uma linda letra e de uma melodia maravilhosa! Além disso, essa é a canção dona no meu clipe preferido. Nele, dentro da voluptuosa melodia, Marina canta vestida com um “terninho” preto, usando um chapéu de mesma cor, numa época em que ela usava um corte de cabelo que entrelaçava o andrógeno ao feminista, como se o ser mais prático estivesse ali, mesmo escondido por debaixo daquilo que muito de fêmea se têm, mas está ali. Sensualidade com classe é o que posso resumir desse clipe.

“Setembro!” Outro disco que me amarra quase que do início ao fim. A sensualidade, típica do timbre de Marina, toma a qualquer sensibilidade corporal e auditiva (ops! Isso pareceu um pouco comprometedor, mas não entendam maldosamente, por favor.rs.) quando nos apresenta “No Escuro” remix. As duas versões são maravilhosas, mas cada uma nos coloca num clima diferente, culpa de uma boa melodia e interpretação. Nele também têm canções que já me rederam histórias. “Alguma Prova”, “Notícias” e “Dois Durões”, são elas. Só o que não curto nesse CD é a capa mesmo, ainda bem que esses cabelos cacheados não a pertencem mais (muitos risos).

É o meu preferido, “Registros À Meia-Voz”. O sentimento não corresponde ao nome; sinto nesse disco que a alma de Marina grita, geme, sente tudo o que diz, mesmo pensando estar dizendo à meia-voz, quando, na verdade, diz tudo. Talvez não como gostaria, mas diz! Não é autoral, mas é sentimental. É nesse disco, também, que a minha música preferida se abriga -- “Tempestade”. A meu ver, foi a maior transformação musical que Marina conseguiu fazer; era uma música com pouca vida, e que, na interpretação dela, saiu do simplista sabor da água, ao doce sabor do vinho que embevece-me, sempre, a cada novo gole. É como o milagre de um parto, cuja dor maltrata, mas, no mesmo momento, traz consigo a melhor sensação e o maior sentimento que o mundo pode abarcar. Dilacera o peito, e lava a alma (e ainda me inspira.rs.).

Ahhhhhhh! Como não citar “Para Um Amor no Recife”? “Quero fechar a ferida, quero estancar o sangue”. Nem precisa estar amando para ouvir essa canção fechando os olhos com força e repetindo cada verso junto com ela, a Marina, mesmo vivendo como a Lili de Drummont (RS). Fora isso, ainda nos cabe as instrumentais que, definitivamente, nos faz conferir o quanto sentimental é essa obra. Dele, o gosto por inteiro, não há exceção.

Esses são os primeiros três discos que estão lá na bandeja. Mas ainda irá mais, por que hoje eu estou doente, logo, mimada, logo, só quero estar com ela!(risoooos!)

Jô: wooOW!

O livro que comecei a ler hoje foi Sal e Sol da escritora maranhense, Arlete Nogueira da Cruz. Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente semana passada, em sua própria casa. Uma pessoa gentil e elegante, fora a inteligência. Ela é esposa do escritor, reconhecido nacionalmente, Nauro Machado que também conheci. Mas conto como isso aconteceu em outra postagem dedicada a eles, agora vou a mirar o livro.

Sobre a imagem do pôr do sol alaranjado e o mar na capa do livro, o nome: Sal e Sol. Arlete definiu tão bem a cidade de São Luís, da qual se propôs a falar nele. Mas especificamente, às estrelas que aqueceram e aquecem a cidade abraçada pelo mar.
Arlete Nogueira da Cruz é possuidora de uma linguagem refinada, porém, de uma clareza absoluta, transmissora de leveza, mesmo quando fala com o fervor dos Marxistas, é sempre assim, uma leitura gostosa de ser feita, ainda mais de um livro que eu classificaria “semi-biográfico”, ao citar grandes nomes de maranhenses que viveram na riqueza dos espíritos delicados, como: João do Vale, Jossué Montello, Bandeira Tribuzzi, Fernando Moreira, Odylo Costa Filho, Cosme Júnior, Márcia de Queiroz (sua mãe), Henrique Augusto Moreira Lima entre outros. Ainda citações de Ferreira Gullar, Erasmos Dias e Turíbio Santos. Mais uma pequena entrevista com Nauro Machado. Enfim, um livro de reconhecimentos, um livro cheio de preciosidades.

Quanto ao filme, vou escolher alguns brasileiros primeiramente, a começar por Poralóides Urbanas de Miguel Falabella. Hoje eu quero rir MUITO!

Fui!


Ananda Souza

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


Quando ela fala, parece

Que a voz da brisa se cala;

Talvez um anjo emudece

Quando ela fala.



Meu coração dolorido

As suas mágoas exala,

E volta ao gozo perdido

Quando ela fala.



Pudesse eu eternamente,

Ao lado dela, escutá-la,

Ouvir sua alma inocente

Quando ela fala.



Minha alma, já semimorta,

Conseguira ao céu alçá-la

Porque o céu abre uma porta

Quando ela fala.



Machado de Assis

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Guardar

Guardar, guardar, guardar...

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la,
isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela,
isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que de um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar

Antônio Cícero

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Hoje e Amanhã


Vejo pela janela
A chuva que cai
Na pulsação da lágrima
Que me escorrega à maçã

Vejo um céu nublado
Numa cor que se iguala
À cor do meu coração
É a dor de amar e ao fundo
O canto mórbido da razão

Ouço o assovio triste dos pássaros
Que lamentam minha respiração
Assim como a minh’alma
Que se cansa da inutilidade
E da falta de vazão

Eu funciono ao isolamento
Do meu ser infinito
No finito da dor
Enquanto minh’alma derrete
Pelo ácido sabor do seu amor

Mas meu terapeuta sou eu,
Enquanto escrevo, me converso
Enquanto me falo,
Em silêncio me escuto
À procura de mim mesmo

Hoje eu desmancho ao vento
Pela mais intensa sensibilidade
Amanhã me reconstruo
Com a mais profunda força e coragem

Hoje eu me amarro no sabor de te amar
Como alguém que deseja a escravidão
Amanhã vejo que não sou para isso
E levanto vôo com as asas da libertação

E sem ajuda de rainhas ou princesas
Sem nenhuma culpa ou dor nesse meu
Doce-amargo coração
Pois é chegada a vez da razão

Ananda Souza

Antes de qualquer comentário, quero primeiro agradecer ao Universo por esse dia ter chegado mais uma vez, por me oferecer tudo que tenho e fazer de mim um uma pesssoa feliz. Agora vamos lá:

Hoje, 22 de dezembro, é o meu aniversário. Fiquei a escolher um poema que representasse algo relacionado a isso e acabei escolhendo esse. O nome dele é um dos elementos mais importantes desse poema, pois sugere uma mensagem que acho fundamental: tudo passa se eu quiser que passe! Hoje posso estar mal, mas amanhã posso levantar, só depende de mim. Escolhi pensar nesse dia com os pés mais no chão, com essa consciência de que eu posso passar o que passar, mas logo estarei refeita de novo. E é por isso que vale a pena viver cada dia, mês, ano de nossas vidas. Mas por que não nos reinventar... SEMPRE?!

Outro momento do poema que acho fundamental para a vida é: "Eu funciono ao isolamento/ do meu ser infinito/ No finito da dor" Sim, superamos a finitude da dor por que somos seres infinitos. Não há dor que nos destrua, mas nós sim somos capazes de destruí-la.

Isso é o que vou levar para os próximos anos, enquanto eu viver.

Feliz natal, próspero ano novo e que o Universo traga luz para todos nós!



Planeta Terra




Uma série de coisas tem me incomodado nesse mundo. Sinto que esse mundo é bem diferente do que estou acostumada a viver. Aqui no Brasil, por exemplo, se fala com seriedade sobre a proteção à democracia, mas ela não existe, nunca existiu, aqui é assim, é super natural sustentar coisas que não existem, porque o que existe de fato lá eu chamaria de “demo-hipocrisia”. Sim, povos e líderes, todos hipócritas. Parece que já está incorporado na cultura deles. Um vai sustentando o outro.

Aqui, é inacreditável, têm pessoas que não se tratam mais pelo que são, porque muitas delas se consideram mais que outros, como se elas não fossem também seres humanos, entende? Choram, riam, adoecem, sonham, são fortes, mas têm fraquezas também, mas se comportam como se fossem diferentes dos demais. Elas vão pela premissa de quem tem mais poder. E também divulgam certas pessoas como seres superiores, e ainda temos aqui, espectadores que acreditam nessa fantasia e a sustentam.

Aqui tem coisas absurdas, hábitos que eu não sei como conseguem manter. Aqui tudo está contrário, se você for sincero, se você for honesto demais você é apedrejado, criticado. Aqui as pessoas estão tão contaminadas com a questão econômica que ser muito franco é sempre sinal de interesse, de querer aparecer. Aqui não dá para ser sincero. Aqui a mentira é perdoada e a verdade é condenada, as pessoas não querem mais ouvir a verdade, elas querem sustentar é a mentira.

Achei engraçado é o que eles chamam de evolução. Aqui tudo que é autodestrutivo é por que é evolutivo. As pessoas daqui acham que a ciência que serve para algumas coisas que traga resultados financeiros é sinal de evolução, sem se importar com as conseqüências. Não importa se vão destruir a eles mesmos, eles só querem o tal do dinheiro. Eu não consegui entendê-los ainda, por que tanto dinheiro se nunca será o suficiente para recuperar toda destruição? E eles acreditam mesmo que estão evoluindo...

E a diversão deles? As crianças lá não brincam mais, mas elas falam que brincam. É incrível! Elas ficam na frente do computador, ou num vídeo game, alguma coisa que as deixam a maior parte do tempo dentro de suas casas. Os pais querem sempre manter os filhos dentro de casa. Não por que os querem presos, mas porque a procura por esse tal de dinheiro ficou tão violenta que andar livremente é sinônimo de arriscar a vida. Ainda tem mais essa! Lá quem se sente livre é o criminoso, e os homens de bem vivem pensando e criando maneiras de se proteger, perdendo a liberdade.

Não sei não, não entendo como eles conseguem viver ali, me senti totalmente inadequado. Eu vou voltar de onde eu vim...

De quem não quer ser um evoluído assim,



ET.


via Ananda Souza

Para refletir um pouco sobre os rumos do nosso mundo...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

E o futuro da Música Brasileira? E agora, José???




Depois de tantas notícias que li relacionadas à Marina Lima, um monte de reflexões me vieram. Não relacionadas diretamente aos episódios divulgados ou às coisas que foram ditas por ela e para ela, mas uma visão que vai além disso, voltada para o todo, para um lado mais social. Então, vou mais adiante...

A primeira lembrança que me veio foi a da razão instrumental de Adorno e uma matéria que li falando um pouco sobre o assunto e relacionando à moderna sociedade industrial:

“A razão se transformou em dominação e, no campo da arte, é domada pela indústria cultural. Sob o controle desta, a obra de arte transforma-se em objeto padronizado, desprovido de conteúdo, subordinado ao primado do lucro, da produção e distribuição racionais. Seu efeito é, basicamente, provocar distração, "entretenimento", impedindo o surgimento de um pensamento crítico ou uma consciência verdadeira.”

Se analisarmos a obra de Marina Lima ao que foi dito, em nada se enquadra. Dizer que a obra dela não há conteúdo ou que impede um pensamento crítico seria um crime, mas ao ler isso pensei na “situação Marina/CQC”. Este demonstra ser um programa de humor tendencioso, patrocinado por quem briga pela ideologia na visão, conceitualmente falando, de Karl Marx, ou seja, falseada para atender interesses dessa classe. Não só politicamente (quando demonstra suas insistentes críticas ao atual governo, mas esse já é outro assunto...), mas também artisticamente - do qual quero focar agora.

Nada melhor que transformar a cabeça das pessoas em “bolhas de ar”, aliená-las e transformá-las em estupidez e vazio, quando se tem o objetivo citado anteriormente: “impedindo o surgimento de um pensamento crítico ou uma consciência verdadeira” e para quem objetiva isso, não faz o menor sentido abraçar qualquer arte que envolva uma expressão crítica e consciente, como a de Marina, por exemplo.

O resultado de tudo isso, fazendo referência mais diretamente à música, está por todos os lados. A cultura da mídia massificada está matando a música brasileira. Tudo aquilo que tem conteúdo está sendo sufocado por tudo que é fútil e alienador (como a matéria bem se referiu à indústria cultural: “Seu efeito é, basicamente, provocar distração, "entretenimento", impedindo o surgimento de um pensamento crítico ou uma consciência verdadeira.”).

São muitos os exemplos, muitos “Creus” e “Piriguetes” da vida. A alienação chegou a tanto, e sempre disfarçada, que as mulheres estão se colocando no lugar de produtos de baixo valor, e assim se manifestam ao dar suas nádegas para que passem o cartão de crédito (para rir ou chorar?).

Para os artistas de hoje, tanto os que já construíram sua história quanto os que estão começando a construir, percebo que o grande desafio é conseguir balancear uma arte conceitual, útil e crítica dentro de uma atual cultura de massificação, sendo que esta anda de mãos dadas com a superficialidade, futilidade e inércia mental, pois procura mesmo e a qualquer custo o LUCRO.

Acontece que tanto se procura o lucro que o tiro caminha para sair pela culatra. Mais uma vez, o atual sistema caminha para suicidar-se como na crise de 29, na atual e tantas outras crises resultantes de uma ganância extremista. Tanto se procura o lucro que, em se tratando de música, o Brasil que é tão rico, caminha para uma cultura musical cada vez mais pobre.

Diante disso tudo nos vêm uma série de questionamentos: O que fazer? Rende-se à cultura de massa ou compra briga com ela? Isso é possível ou é utopia? Continuando assim, aonde vamos parar? O que será de nós sem Marina Lima, Gal Costa, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Marisa Monte e toda essa turma que construiu a boa imagem de nossa arte na música? Sobrarão somente uns ‘gatos pingados’ reféns dessa atual “cultura”?

Acredito que o Brasil está em um momento mais que oportuno, mas sim necessário para fazer nascer um novo, digamos, ‘Movimento Artístico Popular’. Música nas escolas é um bom começo e devemos exigir, mas não acho que seja o suficiente.

Enfim, diante dessas reflexões, a única certeza que tenho é que precisamos fazer alguma coisa para mudar essa realidade e salvar o futuro musical do nosso país.

Alguma sugestão?


Uma luuuuuuz!!!


Ananda Souza

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

__________A Dialética da Vida

A vida é feita de momentos
São só momentos...
Que seguem como um pêndulo

Como se fossem chuvisco,
Que abre alas à tempestade
Que logo se dispersa
E dá lugar ao sol

Seguem assim nossos momentos
Que se transformam, vão e voltam
Nesse movimento sempre pendular
Tudo pra nos renovar

São leis, querida, leis!
Por que tudo é movimento
Tudo apodrece,
Renasce e cresce

E desse ciclo ninguém foge
Ninguém escapa das garras da vida
Ninguém sai da terra
Sem a alma mais evoluída

Então se entregue e ande!
Procure conhecer a vida o quanto antes
Pois nada se deixará passar
De nada adiantará tuas lágrimas rolar