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quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Muda

Eu ainda quero falar alguma coisa que não sei dizer. Lá vou eu aqui de novo! Meu teclado fala como patinhas do cão "cofape" caminhando pela casa... acho tão gostoso! É a minha raça preferida. (risos). Sei lá, que loucura, mas isso me soa como música. Sempre fui ligada às palavras, eu gosto demais de escrever, esse é o meu tagarelar, e agora é como se isso tivesse tomado conta de mim de novo, e é tão bom. Estou vomitando palavras como antigamente, ouvindo uma mesma canção repetidas vezes até o fim. Talvez seja por eu me revelar, me enxergar nitidamente no meio delas, me sentir confortável como no meio de lençóis macios. E eu nem sei o que eu quero falar. Porque, na verdade, não cabe mais nenhuma palavra... o que me faltou dizer se tudo já foi dito? Foi dito o verdadeiro e o falso. Foi dito a dor e a alegria. Foi tudo dito, e eu não sei porque ainda preciso dizer. E eu que amei tanto... que fiquei muda.

Depois de tanto tempo...

Quanto tempo faz que não venho nesse espaço? Nem lembro... eu só sei que fico assim, espalhando palavras em cada canto do mundo sem fronteiras e deixando os pedaços de mim. Tudo que leio por aí, que saem das teclas que prenso, sou eu. Um eu que leio e que deixei pra trás, um eu, que às vezes vejo mutilado no chão que pisei no passado... muitas coisas só nós mesmos, dentro da gente, entendemos, nem dá para explicar, e assim morre a vida; com uma memória que chora de emoção num último suspiro, se dando conta de que tudo foi especial, de que tudo valeu e com uma eterna vontade de ser mais. Mais do que escritos de memória é esse espaço, por inteiro ele representa minha carne, meu sangue, minhas lágrimas, minha voz, uma essência, um eu transformador, transbordado e transformado.
A gente olha para trás e sente que no final das contas foi tudo, tudo bem. Tudo faz parte do ato de viver. A vida é assim, formada por histórias, capítulos que acabam num virar de página para começar um novo. E o que fica do livro da vida são as memórias de cada capítulo anteriormente lido.
Incrível é o poder das palavras. São poemas, pensamentos, reflexões que funcionam como um disco que foi gravado com música. A gente aprende a música, mas sabe que ela está associada à vida, aos momentos vividos. Cada palavra tem um sentido que vai além do seu significado. O conjunto delas contam uma história que vai além de uma narrativa. Atrás do seu significado se esconde uma vida repleta de sentimentos, e é justamente isso que não dá para explicar. Até porque, vamos e convenhamos, o que foi feito para sentir, não é nada didático. É tipo, ou é ou não é. Ou sente, ou não sente.
Estou escrevendo coisas aqui sem me podar, sem me dar limites, porque não estou preocupada com o nexo do texto, aliás, eu não estou preocupada com nada, eu só estou escrevendo sem parar, um ato de amor à vida(já que a novela está na moda e isso bem se traduz). Eu não quero que entendam, eu não quero que saibam, eu não quero explicar, eu só quero sentir a vida que vivi, as sensações, sentimentos, histórias, é isso que me rodeia.
Eu tenho 26 anos, já vejo tanta coisa marcante que vivi e fico imaginando daqui pra frente, quanta coisa ainda me falta! Um turbilhão de coisas... fico lembrando do que a cigana me falou ao me abordar no RJ... porque será que o amor é sempre tratado como peça-chave em nossas vidas? Todo mundo quer saber: e no amor?
Guardo tantos segredos dentro de mim, tanto quanto o resto do mundo, e aguardo o dia que irei revela-los. Para quem? Onde? Quando? Ou sempre serei esse frasco cheio de mistérios se segurando para não vazar? A quem me despir num mundo tão misterioso quanto eu? E eu penso num futuro que ainda não vivi com uma intuição tão forte de que será vivido... como se eu não pudesse escapar. Acho muito louco, mas é exatamente assim. Sentindo um futuro olhando para mim, me esperando, e tendo exatamente as mesmas sensações que eu, certezas incertas... e o que falta? Falta esperar o tempo chegar de sua viagem, talvez...
Eu ainda lembro de tudo que já caiu no esquecimento. Sim, muitas coisas ficam esquecidas no fundo de um baú inútil e empoeirado, lá está, lá ainda existe. Como algo que você guardou no baú dentro de um porão, mas ainda o reconhece e se pergunta: para quê me serve mesmo? Funciona ainda? Como é que usa? Não sei... ou ainda sei?

O presente é uma lição de casa do qual nos esforçamos para nos concentrar, que foge pelo canal do túnel do tempo ou na máquina do futuro. Qualquer um, tanto faz! O que vale é sempre o presente do qual vivo com dedicação. Eu vou me concentrar, eu acerto essa lição!