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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Norte




Por mais que diga:
Eu sei o meu norte!
Você vem com um jeito manso
E me desnorteia
E me desvia, e me leva, e traz
Pra onde tu pensas que devo ir?

Pro sul onde tu ficas
Pro oeste onde me abrigas
Para o leste onde me instiga
Enrijeço e grito: norte!
É pra lá que vou seguir

Mas acontece que,
Por mais dura que eu venha a ser,
Não adianta correr,
Eu dou sempre de cara com você

Norte, sul, leste ou oeste
Por terra, céu ou mar
Eu sei, em qualquer lugar
Eu vou te encontrar
Até mesmo aqui dentro
Com esse espelho diante de mim.

Como o reflexo da água
Como a sombra que o sol me traça
Não há como fugir
Vejo você (sempre) diante de mim
Ah, esse tal de amor
Sempre tão ditador...

Esse consegue desarmar
Qualquer conceito imposto pela razão.
Por mais rígido que pareça,
Não tem "durão" que não se derreta.
Não tem quem prevaleça
A repetir com a mesma firmeza
Aquele primeiro não.
Ananda Souza
Após ler uma música nova de Marina Lima chamada ‘Às Ordens do Amor’ me veio a inspiração do último verso dessa poesia em resposta ao tópico criado na comunidade do Orkut dela para tal música. Daí decidi terminar a poesia, ou melhor, começar, pois eu comecei pelo final (rs). Mostrei a um amigo, Victor Loback, que gostou muito e adotou como uma de suas preferidas, pedi então que ele escolhece o nome da letra, achei o nome escolhido perfeito. Taí, ‘Norte’ pra quem curte! Beijos para todos.[:)]

A música que me inspirou:

Às vezes eu choro
Pra poder lembrar de mim
Às vezes eu rio
Assim
Se bem que eu sorrir, não é raro
Mas é raro é pedir
Àquela pessoa pra nunca se distanciar
de uma história que muda a cada despertar
Por isso vim pedir, frisar
Pois sempre as suas redes vão poder guardar
Os sonhos e os planos de amar
Engraçado como
A vida se encarregou
De lentamente mostrar quem é que comanda o show
Toda a mobília, os discos, a cor
Em todos os domínios de onde venho e vou
estão às ordens do amor
Me leve pra lua
Que eu também vou te mostrar
Que estamos à altura das imagens que compõem o ar
São edifícios, são céus
Que arranham os domínios cheios de calor
À espera das ordens do amor


Marina Lima

Poética I e Poética II

Poética I

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.


A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.



Poética II


Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.


E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.


Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)


Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
– Entrai, irmãos meus!



Vinicius de Moraes
Vinicius de Moraes é um dos meus poetas preferidos, se não for o preferido! O que mais gosto é que ele escreve de forma clara e objetiva, exatamente da maneira que mais me identifico. Essa maneira reflete muito o meu jeito de ser. "Nós escrevemos o que somos, não dá pra fugir disso!" (Ananda Souza). Acredito com toda plenitude nessas palavras. Deixo, então, duas poesias dele que gosto muito.