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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A MURALHA (de Berlim)


Cansei-me da razão
Cansei-me de não sentir
Nem mesmo frio
Apesar de já imersa
Num íntimo abaixo de zero
Que mora em mim

Cansei-me de estar assim
Como uma muralha
Eu agora quero ser
O Muro de Berlim

Por que o escudo é covarde
Ele defende,
mas partindo do princípio
do viver isolado da humanidade

E eu quero o ar universal
pra respirar
E não fazer de mim um suicida
em vida, um egoísta

Eu quero meu corpo fervendo
Eu quero o mundo e seu amor
Eu quero um coração batendo
Quero viver vivendo
Sentindo a dor se preciso for

Eu quero amor saindo pelos poros
Mesmo que seja sinônimo
de sobreviver no amargor
Eu quero o convívio de todos
Relações com alma, não só com corpo

Hoje é o dia do equilíbrio, do meu
O dia de um eu mais malabarista
Na corda bamba da vida
Hoje é o dia do risco, do amor e da dor

Pois se amor está mesmo ligado à dor
Eu prefiro dar as mãos
ao sadomasoquismo
a viver com esse coração tão frio

Que me fira, que me torture
Que me doa, que me mate
Por que hoje estou abrindo as janelas
Para a luz do sol
E que me perfure os olhos com ardor
Desde que seja com amor


Ananda Souza

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