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domingo, 14 de setembro de 2008

05:55, concluo...




Já começo a ouvir o canto dos pássaros
E como são espertos,
Como despertam com virilidade...!
Eu queria ser um pássaro...

A tonalidade do céu começa a mudar
Como se o branco
estivesse a invadir o breu lentamente
Gota a gota...

A temperatura está amena
O tempo não tem mais o sabor de inferno que senti
Pouco antes de me deixar molhar,
antes de, teoricamente, ir dormir...

Os raios de sol começam a atravessar
Por entre as folhas das árvores
E a invadir meu espaço pelas rótulas,
Como se deste fossem donos...

A música me guia por todo esse trajeto noturno
E permanecerá em qualquer turno...
"enquanto não durmo..."
E a chuva lá fora não chove de fato, mas aqui chove...

E, pra não perder o hábito nas minhas noites de insônia,
Fico aqui a escrever sem rumo...
"eu não me acostumo com a falta de rumo..."
Mas ela sempre reaparece...

05:55, concluo...
É preciso fazer as pazes...
Com o mundo...
Então pra quê dormir agora...?
Agora já era, o mundo me espera!

Ananda Souza




Esse poema tem alguns versos da letra dessa canção que sempre me desperta inspirações:




Tempestade




[Enquanto não durmo]
Enquanto te espero
E chove no mundo
[Eu não me acostumo, não
Com a falta de rumo,] brasileiro
E esse tom de desespero
Que atingiu nosso amor

A tempestade me assusta
Como sua ausência
Você, raio humano, despencou
Na minha cabeça
E desde então
Grita esse trovão
No meu peito

[A chuva lá fora, chove de fato]
Enquanto a sua ausência, inunda meu quarto
E transborda na cama
Agora eu entendo, meus sonhos são outros

Eu penso no homem que dorme nas ruas do Rio
E agora flutua nos rios da rua
Os barracos à beira do abismo
Deslizam no cinismo da Vieira Souto
Meus sonhos são outros

(Zélia Duncan e Christian Oyens)

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