Postagens populares

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Uma Carta a um Professor: Pensamentos I e II



Uma Carta a um Professor: Pensamento I

Eu o vejo como um homem tão inteligente, por isso não consigo compreender como consegues falar desse mundo contemporâneo que você classifica como hipermoderno com tanta simplicidade. Sinceramente não sei se penso assim porque eu não consigo admitir esse mundo que tu descreves ou porque, para mim, esse mundo não existe. O meu mundo é outro, rico de idéias, inclusive próprias. Não é porque nem sempre sigo idéias dos meus pais que haja ausência de idéias. Não é porque o mundo deixou de seguir alguém, um Hitler ou um Che Guevara, que as idéias tenham sido extintas, não é?

Não vejo em mim, nem ao meu redor, nem no meu estado a ausência de idéias, porque eu presenciei os ideais, senti na pele e vi a ideologia tomando as pessoas, escorrendo pelo suor de seus corpos e pela saliva de suas bocas a cada nova caminhada. Não, elas não estavam ali para eleger candidato “X”, elas estavam ali fazendo uso de seus ideais, apenas para mudar um exercício político que permanecia já há tempos ali, e que faliu nosso estado nos colocando em posição vergonhosa e de exemplo de atraso perante o país. Muitos estavam desanimados até com o candidato escolhido para esse momento de transição, inclusive eu, mas havia um ideal, e isso era maior.

O que movia esse povo era o que move qualquer ser humano, o desejo, a vontade de construir uma realidade diferente, no nosso caso, daquela que já viviamos há 40 anos. O ser humano tem o direito de acreditar e tentar mudar, dando certo ou não no final é preciso TENTAR. E esse povo só tentou porque acreditou na sua idéia.

Diante de toda essa história percorrida, me diga professor, como me sentir convencido de que já estamos no hipermodernismo? O máximo que posso admitir é que estamos no pós-modernismo, pois ainda vejo no agora o que tu chamas de “resquício do moderno” (que é a sobra do ideal existente no período moderno, um período de grandes teorias), pois eu tenho sabido, visto e ouvido ações populares levadas por causa desses “resquícios”.

Mas o que mais me indigna, perdoe-me a sinceridade, é essa sua calma quando falas do hipermodernismo como algo já plenamente presente na sociedade, deixando a entender, assim, que é natural não ter idéias, ser um alienado, fazendo com que seus alunos não sintam nenhuma culpa pelo fato de ser um “cabeça de vento”, afinal todos já são assim e eles são apenas mais um; e pior, com a sua maneira de falar, você me deixa acreditar que VOCÊ também se considera mais um, como todos os outros.

Tudo bem, cada um que faça o que quiser do seu próprio cérebro, então me perdoe a irritação, mas é algo que não consigo evitar, pois pregar isso tudo, para mim, é o fim. Só me parece um discurso disfarçado de intelectual do próprio sistema em que vivemos para levar as pessoas a pensar que ser um retardado hoje em dia é totalmente natural e bom, para, dessa forma, diminuir a resistência social e abrir caminhos para se tirar proveito político, social e, principalmente, econômico.

Eu não sei o que o senhor pensa de fato, mas se tu condenas essa postura hipermoderna, fale disso demosntrando que abomina, condenando isso e não como alguém que acha tudo isso é super natural e que já até faz parte desse processo.

Um abraço mental conflituoso,

Ananda Souza

P.S.: Sempre quando falo de idéias, quero denotar o sentido de desejo de mudança do homem, que é sempre levado a isso por sua natureza insaciável e não por acreditar em um ideário, propriamente. Digo isso porque não acredito que o homem transforma baseando-se apenas em uma ideologia, mas sim porque segue o seu próprio desejo, principalmente quando já se vê à beira do abismo. Afinal, se a ideologia fosse o principal fator que motivasse à transformação, o conflito de classes pregado por Karl Marx, por exemplo, teria iniciado na Inglaterra e não na Rússia. O proletariado inglês tinha consciência de seu lugar reprimido dentro da sociedade e a idéia de Marx, mas os russos estavam na mais plena miséria e, por isso, o desejo de mudança foi maior e fator decisivo para as conseqüentes ações. O desejo se faz maior que a idéia, ou seja, a idéia é apenas a conseqüência do mais profundo desejo.

Uma Carta a um Professor: Pensamento II

Caro professor,

Volto a te escrever com as desilusões nas costas, com um coração que, ao ver a realidade, despedaçou-se, mas com os pés mais no chão. A ventania da realidade tem desmanchado no ar tudo aquilo que parecia ser sólido, as máscaras sociais e políticas têm caído e me enterrado nesse chão sem boas perspectivas. Agora sinto na alma que a teoria é diferente e, muitas vezes, o oposto do que acontece na prática.

Direitos, democracia, poder do povo, voto, ideologias diversas, tudo tem escorrido como lava quente por entre os dedos das mãos e é assim que o mundo tem nos empurrado para esse chão hipermoderno. Admitir isso me doeu desde o princípio, e tu bem sabes disso, mas não dá mais para viver preso a ilusões.

Eu creio que não te entendi porque percebo que você já aprendeu o que agora preciso aprender. Preciso aprender a ser indiferente com o mundo para conseguir aturá-lo um pouco mais, coisa que tu, acredito eu, já deve ter sentido como estou sentindo agora. Vou conseguir? Isso parece ser sinônimo de não mais acreditar na humanidade... e eu tenho estado descrente dela.

A estrutura é naturalmente anti-humanista e auto-destrutiva. Como haver solução se, sendo um sistema anti-humanista, o ser humano será sempre uma espécie condicionada por algo maior que ele? Como seres condicionados a uma estrutura, e esta sendo naturalmente destrutiva, como impedir nossa própria destruição? Não, não sei mais se há solução.

Agora me vejo obrigado a me individualizar, mas para isso preciso aprender a ser indiferente a essas imperfeições do mundo. Cada vez mais preso ao meu ser indivíduo, alienadamente sabedor de que esse meu ser indivíduo não influencia o todo, que não faz a menor diferença nele, mas que parece a única maneira de conseguir respirar por aqui. Individualizar-se, então, se torna uma necessidade para garantir a sobrevivência, mesmo sendo, contraditoriamente, sinônimo de suicídio, afinal, mesmo dentro desse conjunto de sociedades, o que tem nos restado é construir nossas vidas individualmente, mas esperando que algo maior que não controlamos faça a desconstrução.

Ananda Souza
Monólogos dedicados ao psiquiatra, doutor e professor Eduardo Riaviz que, mesmo sem intenção, sempre me faz refletir.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Adeus




Se sinto amor?
Sim, sinto.
E é por isso que sinto tanto...

E é por isso que venho aqui,
com o rosto no sal da água
Para, assim, dizer-te:

Adeus!

Ananda Souza

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Diário de Uma Adoentada

Dias em casa, o que fazer?

Três palavras, até então, podem resumir: discos, livros e filmes. Não vou citar o uso do computador porque isso é diário como o alimento, necessário independente de qualquer coisa, como agora, que estou a nutrir-me das palavras que aqui despejo.

A cada dia sinto sede de alguma coisa, uma vontade de um novo cardápio ou de repetir o "prato da casa" que há algum tempo não degusto. É o que estou a fazer com os meus discos. Acordei com sede de alguns e já estou a me alimentar deles. Hoje quero um repertório cujo prato principal seja Marina Lima. Tenho ouvido muito o disco “Todas Ao Vivo”, mas hoje pra mim é pouco. Os coloquei todos sobre a cama e estou a admirá-los como se fosse a primeira vez. Interessante como o sabor de cada um nunca se perde. Volta e meia os tomo para mim e me vêm no rosto olhos felizes por perceber que são tão bons e que são MEUS!(risos)

Estou ouvindo o disco “O Chamado” agora, a canção “Deve Ser Assim”, dona de uma linda letra e de uma melodia maravilhosa! Além disso, essa é a canção dona no meu clipe preferido. Nele, dentro da voluptuosa melodia, Marina canta vestida com um “terninho” preto, usando um chapéu de mesma cor, numa época em que ela usava um corte de cabelo que entrelaçava o andrógeno ao feminista, como se o ser mais prático estivesse ali, mesmo escondido por debaixo daquilo que muito de fêmea se têm, mas está ali. Sensualidade com classe é o que posso resumir desse clipe.

“Setembro!” Outro disco que me amarra quase que do início ao fim. A sensualidade, típica do timbre de Marina, toma a qualquer sensibilidade corporal e auditiva (ops! Isso pareceu um pouco comprometedor, mas não entendam maldosamente, por favor.rs.) quando nos apresenta “No Escuro” remix. As duas versões são maravilhosas, mas cada uma nos coloca num clima diferente, culpa de uma boa melodia e interpretação. Nele também têm canções que já me rederam histórias. “Alguma Prova”, “Notícias” e “Dois Durões”, são elas. Só o que não curto nesse CD é a capa mesmo, ainda bem que esses cabelos cacheados não a pertencem mais (muitos risos).

É o meu preferido, “Registros À Meia-Voz”. O sentimento não corresponde ao nome; sinto nesse disco que a alma de Marina grita, geme, sente tudo o que diz, mesmo pensando estar dizendo à meia-voz, quando, na verdade, diz tudo. Talvez não como gostaria, mas diz! Não é autoral, mas é sentimental. É nesse disco, também, que a minha música preferida se abriga -- “Tempestade”. A meu ver, foi a maior transformação musical que Marina conseguiu fazer; era uma música com pouca vida, e que, na interpretação dela, saiu do simplista sabor da água, ao doce sabor do vinho que embevece-me, sempre, a cada novo gole. É como o milagre de um parto, cuja dor maltrata, mas, no mesmo momento, traz consigo a melhor sensação e o maior sentimento que o mundo pode abarcar. Dilacera o peito, e lava a alma (e ainda me inspira.rs.).

Ahhhhhhh! Como não citar “Para Um Amor no Recife”? “Quero fechar a ferida, quero estancar o sangue”. Nem precisa estar amando para ouvir essa canção fechando os olhos com força e repetindo cada verso junto com ela, a Marina, mesmo vivendo como a Lili de Drummont (RS). Fora isso, ainda nos cabe as instrumentais que, definitivamente, nos faz conferir o quanto sentimental é essa obra. Dele, o gosto por inteiro, não há exceção.

Esses são os primeiros três discos que estão lá na bandeja. Mas ainda irá mais, por que hoje eu estou doente, logo, mimada, logo, só quero estar com ela!(risoooos!)

Jô: wooOW!

O livro que comecei a ler hoje foi Sal e Sol da escritora maranhense, Arlete Nogueira da Cruz. Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente semana passada, em sua própria casa. Uma pessoa gentil e elegante, fora a inteligência. Ela é esposa do escritor, reconhecido nacionalmente, Nauro Machado que também conheci. Mas conto como isso aconteceu em outra postagem dedicada a eles, agora vou a mirar o livro.

Sobre a imagem do pôr do sol alaranjado e o mar na capa do livro, o nome: Sal e Sol. Arlete definiu tão bem a cidade de São Luís, da qual se propôs a falar nele. Mas especificamente, às estrelas que aqueceram e aquecem a cidade abraçada pelo mar.
Arlete Nogueira da Cruz é possuidora de uma linguagem refinada, porém, de uma clareza absoluta, transmissora de leveza, mesmo quando fala com o fervor dos Marxistas, é sempre assim, uma leitura gostosa de ser feita, ainda mais de um livro que eu classificaria “semi-biográfico”, ao citar grandes nomes de maranhenses que viveram na riqueza dos espíritos delicados, como: João do Vale, Jossué Montello, Bandeira Tribuzzi, Fernando Moreira, Odylo Costa Filho, Cosme Júnior, Márcia de Queiroz (sua mãe), Henrique Augusto Moreira Lima entre outros. Ainda citações de Ferreira Gullar, Erasmos Dias e Turíbio Santos. Mais uma pequena entrevista com Nauro Machado. Enfim, um livro de reconhecimentos, um livro cheio de preciosidades.

Quanto ao filme, vou escolher alguns brasileiros primeiramente, a começar por Poralóides Urbanas de Miguel Falabella. Hoje eu quero rir MUITO!

Fui!


Ananda Souza

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


Quando ela fala, parece

Que a voz da brisa se cala;

Talvez um anjo emudece

Quando ela fala.



Meu coração dolorido

As suas mágoas exala,

E volta ao gozo perdido

Quando ela fala.



Pudesse eu eternamente,

Ao lado dela, escutá-la,

Ouvir sua alma inocente

Quando ela fala.



Minha alma, já semimorta,

Conseguira ao céu alçá-la

Porque o céu abre uma porta

Quando ela fala.



Machado de Assis