
Depois de tantas notícias que li relacionadas à Marina Lima, um monte de reflexões me vieram. Não relacionadas diretamente aos episódios divulgados ou às coisas que foram ditas por ela e para ela, mas uma visão que vai além disso, voltada para o todo, para um lado mais social. Então, vou mais adiante...
A primeira lembrança que me veio foi a da razão instrumental de Adorno e uma matéria que li falando um pouco sobre o assunto e relacionando à moderna sociedade industrial:
“A razão se transformou em dominação e, no campo da arte, é domada pela indústria cultural. Sob o controle desta, a obra de arte transforma-se em objeto padronizado, desprovido de conteúdo, subordinado ao primado do lucro, da produção e distribuição racionais. Seu efeito é, basicamente, provocar distração, "entretenimento", impedindo o surgimento de um pensamento crítico ou uma consciência verdadeira.”
Se analisarmos a obra de Marina Lima ao que foi dito, em nada se enquadra. Dizer que a obra dela não há conteúdo ou que impede um pensamento crítico seria um crime, mas ao ler isso pensei na “situação Marina/CQC”. Este demonstra ser um programa de humor tendencioso, patrocinado por quem briga pela ideologia na visão, conceitualmente falando, de Karl Marx, ou seja, falseada para atender interesses dessa classe. Não só politicamente (quando demonstra suas insistentes críticas ao atual governo, mas esse já é outro assunto...), mas também artisticamente - do qual quero focar agora.
Nada melhor que transformar a cabeça das pessoas em “bolhas de ar”, aliená-las e transformá-las em estupidez e vazio, quando se tem o objetivo citado anteriormente: “impedindo o surgimento de um pensamento crítico ou uma consciência verdadeira” e para quem objetiva isso, não faz o menor sentido abraçar qualquer arte que envolva uma expressão crítica e consciente, como a de Marina, por exemplo.
O resultado de tudo isso, fazendo referência mais diretamente à música, está por todos os lados. A cultura da mídia massificada está matando a música brasileira. Tudo aquilo que tem conteúdo está sendo sufocado por tudo que é fútil e alienador (como a matéria bem se referiu à indústria cultural: “Seu efeito é, basicamente, provocar distração, "entretenimento", impedindo o surgimento de um pensamento crítico ou uma consciência verdadeira.”).
São muitos os exemplos, muitos “Creus” e “Piriguetes” da vida. A alienação chegou a tanto, e sempre disfarçada, que as mulheres estão se colocando no lugar de produtos de baixo valor, e assim se manifestam ao dar suas nádegas para que passem o cartão de crédito (para rir ou chorar?).
Para os artistas de hoje, tanto os que já construíram sua história quanto os que estão começando a construir, percebo que o grande desafio é conseguir balancear uma arte conceitual, útil e crítica dentro de uma atual cultura de massificação, sendo que esta anda de mãos dadas com a superficialidade, futilidade e inércia mental, pois procura mesmo e a qualquer custo o LUCRO.
Acontece que tanto se procura o lucro que o tiro caminha para sair pela culatra. Mais uma vez, o atual sistema caminha para suicidar-se como na crise de 29, na atual e tantas outras crises resultantes de uma ganância extremista. Tanto se procura o lucro que, em se tratando de música, o Brasil que é tão rico, caminha para uma cultura musical cada vez mais pobre.
Diante disso tudo nos vêm uma série de questionamentos: O que fazer? Rende-se à cultura de massa ou compra briga com ela? Isso é possível ou é utopia? Continuando assim, aonde vamos parar? O que será de nós sem Marina Lima, Gal Costa, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Marisa Monte e toda essa turma que construiu a boa imagem de nossa arte na música? Sobrarão somente uns ‘gatos pingados’ reféns dessa atual “cultura”?
Acredito que o Brasil está em um momento mais que oportuno, mas sim necessário para fazer nascer um novo, digamos, ‘Movimento Artístico Popular’. Música nas escolas é um bom começo e devemos exigir, mas não acho que seja o suficiente.
Enfim, diante dessas reflexões, a única certeza que tenho é que precisamos fazer alguma coisa para mudar essa realidade e salvar o futuro musical do nosso país.
Alguma sugestão?
Uma luuuuuuz!!!
Ananda Souza
Ananda Souza